A #redelivre

A #redelivre é uma junção de tecnologias sociais e digitais construídas por diversos agentes de forma colaborativa. Trata-se da transposição do conceito de mutirão para a dinâmica distribuída das redes. A proposta é somar práticas, padrões técnicos, protocolos e tecnologias com foco em demandas sociais de modo a incluir novos colaboradores e reinventar-se constantemente. Em contraposição à lógica da competição, estimula-se o diálogo entre iniciativas que têm a liberdade como valor comum e fortalecem a federação de redes.

Engloba ferramentas de comunicação, mapeamento, gerenciamento de contatos, mobilização, doação e participação online. Mas nada disso funciona e nem faz sentido sem o envolvimento de pessoas, o que pressupõe a realização de trocas e vivências presenciais nas quais o intercâmbio de saberes e o empoderamento das tecnologias são estimulados. Esses momentos facilitam a inclusão de novos atores, o exercício da atuação em rede e a conexão de diversas redes entre si.

Como funciona?

Funcionamento: Por meio de um cadastro no site da #redelivre, tem-se acesso às tecnologias disponíveis, hospedadas em um servidor de alto desempenho. Cada uma das ferramentas é fruto de necessidades concretas apresentadas pelos agentes que compõem a rede. As soluções são, ao mesmo tempo, altamente customizáveis e facilmente replicáveis, estando, portanto, disponíveis para o conjunto da rede após a sua implementação.

O processo de diagnóstico e sistematização de demandas, especificação de tecnologias e implementação de soluções é gerido de forma aberta e colaborativa, num continuum experimental que se retroalimenta da experiência que cada agente tem com o uso da #redelivre.

O processo de desenvolvimento dá-se através do GitHub, uma comunidade de desenvolvimento colaborativo de software, por meio da qual é possível informar erros, fazer perguntas, dar sugestões e discutir funcionalidades. Para os desenvolvedores há também a possibilidade de enviar melhorias de código que, depois de avaliadas pela comunidade, podem se tornar parte daquele projeto. A #redelivre utiliza ainda o Gitter, uma ferramenta de conversa em tempo real integrada ao GitHub, como canal de discussão sobre questões de desenvolvimento.

Metodologias de mobilização e articulação: Cabe pontuar que a #redelivre tem forte relação com projetos anteriores desenvolvidos no âmbito do Programa Cultura Viva, como o Pontão de Cultura Kuai Tema (responsável pela articulação da rede de Pontos de Cultura do Paraná entre 2009 e 2010), o primeiro Prêmio de Midia Livre, recebido pelo Portal do Soylocoporti em 2009, o Laboratório de Cultura Digital (2013) entre outras iniciativas.

Nesse sentido, são quatro as principais estratégias de mobilização e articulação:

  • Ciclos de Cultura Digital: vivências e encontros de intercâmbio e formação de Pontos, agentes e redes culturais. Compreendem momentos de debate assim como oficinas para o uso de ferramentas de comunicação, gestão do conhecimento, mapas culturais colaborativos, democracia digital e mobilização.
  • Intercâmbios e residências: o objetivo é promover vivências intensivas de troca de conhecimentos, levantar demandas e soluções colaborativamente e formar multiplicadores. Por meio do compartilhamento de saberes podemos fortalecer as redes de movimentos e contribuir para o empoderamento popular das tecnologias, favorecendo o diálogo entre distintos agentes e a formação de arranjos locais e redes globais.
  • Participação em eventos: buscando articular e mobilizar outros agentes para a rede, a #redelivre participa e contribui na realização de atividades como o Fórum de Midia Livre, as Teias dos Pontos de Cultura, oFACÇÃO – Encontro Latino-Americano de Midiativismo e o Conselho Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária, entre outros.
  • Assistência online: como forma de auxiliar no uso da #redelivre, é oferecida assistência para o desenvolvimento de projetos, assim como se incentiva o engajamento na gestão da plataforma por meio da ferramenta de deliberação e do GitHub.

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  1. Olá, estou conhecendo-os agora, fazemos parte de um Coletivo de Comunidades Tradicionais (caboclos e quilombolas), no município de Iporanga, conquistamos o Ponto de Cultura “Coisas da Prosa” em 2009 que potencializou nosso trabalho em audiovisual. O prêmio fortaleceu o Projeto “Cinema Livre”, gerando produções em audiovisual e até o I Curta no Vale” em 2012. Além do Cinema Livre apostamos na formação digital com um projetinho “Soletrando d i g i t a l” onde mais de 100 jovens, adultos e crianças da comunidade cabocla do Bairro Serra, experimentaram o letramento digital. Avançamos na formação em audiovisual, iniciando com cinelerra, e hoje trabalhamos com blender, inckscape, gimp entre outros aplicativos. Tínhamos o site Prosa na Serra no Word Press e hoje estamos reorganizando-o. Conquistamos ainda o Premio Ponto de Memória “Coisas da Prosa – memória cabocla/quilombola” em 2013. E em 2014 iniciamos um projeto com a escola rural de nosso bairro, levando a internet e o softwere livre na escola, e formando os professores para atuarem com os alunos (muitos deles fizeram os cursos no Ponto de Cultura). Este projeto da escola está parado. Mas ainda sonhamos dar continuidade. Chegamos até vocês através de Maurilio. Muito prazer em conhece-los!